A Lex mercatória como base da arbitragem no comércio internacional e sua alternativa ao Direito Comercial entre Estados Nacionais
Ludmila Lourenço Rodrigues [1]
Resumo
Esse trabalho analisa de forma historiográfica e hermenêutica, a
correlação entre a Lex mercatoria e os Tribunais Arbitrais Internacionais, na
resolução de conflitos que envolvam o comércio e o Direito entre Estados
Nacionais. Em sua origem histórica a Lex mercatoria aparece como a primeira
forma privada de resolução de disputas e hoje vem sendo resgatada
pelos Tribunais Arbitrais Internacionais diante do novo cenário global de
comércio e novas fronteiras. Essas instituições jurídicas vem aplicando
princípios que fundamentaram a Lex mercatoria como a cooperação e auto
composição que, com o advento da globalização e o aumento do comércio
internacional, tornaram-se vias extra jurisdicionais capazes de atender as
demandas dessas relações comerciais internacionais com maior agilidade.
PALAVRAS –CHAVES: Direito Internacional – Comercio Internacional –
Lex mercatória – Tribunal Arbitral Internacional
Abstract
This paper analized the important aspects of legal institutions in country,
and the consequencies of quality of this legal institutions for promoting nacional
economic growth in a global world.
Introdução
Este artigo trata da correlação daLex mercatoria e os Tribunais
Internacionais de Arbitragem como alternativa para questões tratadas no ramo
do Direito Internacional, em especial no seu ramo mais recente, o Direito
Comercial Internacional, em função da globalização dos mercados modernos e
o intenso fluxo de comércio que demanda confrontos e conflitos entre
legislações de Estados Nacionais diferentes e que respondem a arcabouços
jurídicos muita vezes antagônicos, contraditórios e que podem inviabilizar os
negócios .
Dentre as perspectivas de abordagem do Direito Internacional Comercial
a Lex mercatoria aparece na História como um Direito do Comercio criado
pelos próprios comerciantes, em um momento onde não havia uma
organização Estatal e está fundada no princípio da autonomia da vontade de
quem está fazendo o negócio. Ou seja, diante de conflitos advindos das
relações comerciais, os próprios comerciantes estabeleciam regras para
solucioná-las. Ela surge, como um sistema jurídico que serve de guia para
todos os marinheiros principalmente no século XVII [2] , quando o mercantismo
toma conta dos mares e os Estados Nacionais afirmam suas bases comerciais
em plena teoria econômica de Adam Smith e sua famosa “mão invisível do
mercado”.
As características da Lex mercatoriase destacam por sua
transnacionalidade, usos e costumes, informalidade, rapidez e boa fé na
atividade comercial. Esse mesmo sistema e princípios encontram-se presentes
também nas câmaras de arbitragem que ao privilegiar a auto composição e a
auto regulação dos agentes interessados na solução, servem como
Instrumento pacificador nas relações comerciais. Desde o século XX, quando
na década de 1920 surge o primeiro Tribunal Arbitral Internacional, nos
EUA, este meio alternativo e privado de resolução de conflitos comerciais tem
se mostrado eficiente e cada vez mais usual entre empresas e até mesmo
governos que vem em sua forma, mais eficiência e eficácia que o
jurisdiciamento tradicional.
Objetivo:
Criar uma ferramenta de consulta para futuros advogados e juristas
sobre a historiografia da mediação de conflitos internacionais na área do Direito
Comercial e ainda refletir sobre como os Tribunais Arbitrais hoje se configuram
como um eficaz meio de solução de demandas na área comercial que ainda
requer consolidação e divulgação, em especial no Brasil, sobre seu uso
internacional.
Metodologia:
Através da análise de artigos que compõem a historiografia da Lex
mercatória e de legislações pertinentes a admissão de Tribunais Arbitrais
Internacionais como mediadores de conflitos comerciais entre empresas e
corporações de países diferentes, pretendemos apresentar um panorama de
como hoje esta via se torna viável como meio privado alternativo ao sistema
legal jurisdicional estatal.
Resultado:
Através dos resultados da análise histórico-hermenêutica, pretendemos
apresentar os fundamentos que justificam a formação de advogados e juristas
para este novo e promissor ramo do Direito Comercial Internacional, chamado
a atenção para um grande mercado que se abre em diversas cortes arbitrais
espalhadas por todo o mundo e escritórios de advocacia internacionais que
necessitarão da assistência desses profissionais.
Considerações finais
A Lex mercatoria não deve ser confundida como "Lei de mercado
econômico" em uma tentativa de traduçãoipsis literris. Pois leis do mercado
econômico se referem mais a estudo dos fenômenos econômicos do que
regras que regulamentam o comércio internacional. Até o século XVII, devido a
expansão marítima que favoreceu a interação internacional de comerciantes de
diversos lugares do mundo, a Lex marcatoria se espalhou naturalmente
baseada nos costumes comerciais medievais. Seu surgimento foi espontâneo,
e o próprio comércio ao se modificar tratava de impor uma evolução nas regras
do setor privado, e também nas leis internas dos Estados. Sempre na busca de
estabelecer garantia jurídica nas relações comerciais.
Hoje são setores de grande relevância para a temática do Direito do
Comercio Internacional a proteção dos direitos de propriedade intelectual, as
regras de contratos internacionais de compra e venda, a regulamentação das
empresas transnacionais e que diante de tal fluxo de negócios, se vem diante
de conflitos jurídicos entre Estados Nacionais que confrontam empresas de
diferentes nacionalidades e legislações que garantem e exigem, de maneira
diferente, de um e de outro inviabilizando muitas vezes a prática comercial.
Diante de um mundo globalizado, não contando com uma específica
regulamentação para as mais diferentes realidades, faz-se necessário a busca
de meios alternativos para solução desses conflitos e nesse sentido os
Tribunais Internacionais de Arbitragem mostram-se uma eficiente ferramenta
diante de embates nas relações de comércio entre continentes e nações. Os
tribunais arbitrais internacionais como meios alternativos de solução de
conflitos buscam os fundamentos que se baseiam aLex mercatoria, que são a
posssibilidade de auto composição e maior flexibilidade para resolução de
disputas entre empresas de diversas nacionalidades de forma extra judicial, ou
seja fora da esfera jurisdicional estatal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MARCO, Carla Fernanda de. Arbitragem Internacional no Brasil, São
Paulo, RCS Editora, 2005.
NETO, José Cretella. Curso de Arbitragem, Rio de Janeiro, 2004.
[1] Ludmila Lourenço Rodrigues é estudante do 2º. Ano Direito UEL em 2018
[2] Black's Law Dictionary, Pocket edition, West Group, 1996, verbete "Law merchant"
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